Rarnar estava diante do ataúde de pedra. Enxergando claramente através da escuridão absoluta, os olhos amarelados contemplavam um cadáver inacreditavelmente bem conservado, envolvido por uma manta rústica. Reproduzido nesta, o emblema da maça-estrela respigando sangue identificava os restos mortais. Não havia dúvida de que realmente estava na Torre Alta.
Tag: Fan Fiction
– Depressa, baixote, diga o que aprontou!
– Já disse que as portas caíram! Não foi minha culpa! Eu só esta-
Guinchos preencheram o ambiente. Atravessando o vazio deixado por uma das portas, uma turba de ratos encharcados surpreendeu a todos e correu freneticamente pelo lugar, metendo-se em frestas e buracos. Meldeau pisou e chutou os que se aproximaram demais.
Chovia a cântaros e nenhum outro som ecoava no abrigo. O ar estava pesado e a luz indistinta da lamparina criavam sombras ameaçadoras. Sentados em cantos opostos, Taldor Fendeaço e Rhístel Sanguélfico trocavam olhares, buscando desvendar os pensamentos um do outro.
Rhístel sabia avaliar as pessoas e orgulhava-se disto. Todavia, não precisava valer-se deste seu talento natural para adivinhar o que ia à cabeça do outro: o desconforto era evidente na carranca, no bico proeminente e nos olhos negros cerrados sob as sobrancelhas grossas.
Taldor encontrou as ruínas da torre momentos antes da tempestade desabar ruidosamente. Todavia, para seu desgosto, o local não fornecia proteção. A única alternativa era abrigar-se sob o outeiro onde a antiga construção fora erigida. Não desejava fazê-lo, mas percebeu que não tinha escolha quando os primeiros raios cortaram os céus.
Taldor Fendeaço interrompeu os passos para lançar um olhar preocupado para o céu. Um sol pálido se fez notar no oeste por trás de nuvens cinzentas. Um vento frio soprou através dos cumes gramados, carregando um aroma bem familiar ao jovem anão: chuva. O tempo mudara novamente.
Era sempre assim naquela região, àquela época do ano. Não pela primeira vez, ele atravessava os ermos verdejantes em direção a Arnglar. O vilarejo não tinha qualquer atrativo, mas o apreço que desenvolvera por seus habitantes o tornavam um segundo lar.
Três figuras encapuzadas atravessavam a passos largos as terras do interior ocidental dos Reinos Fronteiriços. O véu da noite era a única proteção contra a atenção indesejada naquele mar de colinas desabrigadas.
Poucos enxergariam o misterioso trio ali; as nuvens, arautos das tempestades elétricas tão comuns naqueles ermos, intensificavam a escuridão. Não havia qualquer alma viva num raio de muitos quilômetros em todas as direções.
Estava aqui escrevendo mais um conto quando atentei para o fato de que não costumo mostrar meu trabalho para outras pessoas. Ora, qual é o propósito de escrever histórias se não há ninguém para lê-las e opinar a respeito?
Decidi postar algumas histórias despretensiosas aqui no blog e optei por começar com algumas histórias de fantasia que tenho escrito já há algum tempo por puro prazer (e como um modo de aperfeiçoar meu estilo de escrita).